Promover e fortalecer atividades de relevância pública e social, incluindo encontros artístico-culturais, desportivos, educacionais e filantrópicos, visando a integração comunitária, o desenvolvimento pessoal e a valorização do patrimônio cultural e humano.
Ser uma referência nacional na promoção da arte, cultura, esporte, educação e lazer como potências de transformação social, através de ações que estimulam o convívio coletivo com linguagem lúdica e que impactam positivamente as comunidades atendidas, visando a valorização e desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e suas famílias.
Ludicidade: Alegria é a prioridade!
Brincamos, nos movemos, celebramos a cultura popular e espalhamos bem-estar por onde passamos.
Ajuntamento/Convivência: Juntos desvendamos sentidos!
Unimos pessoas, fortalecendo os laços de afeto e criando conexões verdadeiras.
Liberdade Criativa: Deixe a imaginação voar!
Acolhemos a ousadia, a experimentação e a quebra de padrões.
Transformação Cultural: Com humor e arte, reinventamos nossos mundos!
Ressignificamos a cultura para atuar na vida ainda mais vibrantes.
Autenticidade Sustentável: Todas as vozes importam!
Honramos a originalidade de cada um, com um compromisso inabalável com a diversidade, a inclusão e a preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural.
Público-alvo:
Crianças, adolescentes, jovens, suas famílias e comunidade;
Artistas das artes cênicas, carnaval, brincantes da cultura popular e tradicional;
Detentores de conhecimentos específicos sobre a simbologia Amazônida;
Povos tradicionais, ribeirinhos, catraieiros, tarrafeiros, quebradores de castanha, parteiras, brincantes de quadrilhas juninas, jabuti-bumbá, marujada, pastorinhas, maracatu, rodas de coco, samba e afins;
Artistas visuais, desportistas, contadores de histórias, recreadores e músicos locais e nacionais.
"Da vasta amazônia, das terras do Acre, ao Monte Azul,
Eu chego com o deus do barulho"
Nolram Rocha
Nossa História: A trajetória do Instituto Gaiato
A história do Instituto Recreativo Desportivo Cultural Gaiato Ajuntamento, Rede Ludoafetiva de Cultura Viva, é uma teia de evolução, resiliência e compromisso comunitário que começou a ser tecida ainda na infância de seu fundador, Nolram Rocha, passando a ganhar forma concreta a partir de 2016, no estado do Acre, no âmbito da Universidade Federal do Acre (UFAC), sob a condução do Prof. Dr. Micael Côrtes.
As experiências vividas na Iniciação Científica do Curso de Artes Cênicas e no Laboratório de Gaiata Investigação e Prática Teatral (LGIPT) colocaram o fundador em contato com a pesquisa acadêmica e com obras como Homo Ludens, de Johan Huizinga, além dos jogos teatrais sob a ótica de Viola Spolin e de outros autores dedicados ao estudo do jogo, da imaginação e da cultura lúdica. Essas referências ajudaram a nomear e aprofundar práticas que Nolram já desenvolvia desde a infância por meio do “Clubinho”, das “Olimpíadas da rua”, das “feiras de ciências” organizadas em casa e das rodas de brinquedos cantados aprendidas e compartilhadas desde 2008.
Aquilo que inicialmente se estruturava como um núcleo acadêmico de pesquisa cênica voltado à chamada “Pedagogia do Encantamento” rapidamente encontrou ressonância em uma trajetória de vida que já reconhecia, no brincar, no convívio e na invenção coletiva, um sentido profundo de existência.
A primeira tentativa de consolidação do que hoje chamamos de Ludoafetividade ocorreu através do coletivo Teatro Candeeiro, fundado em 2016 por Nolram Rocha e Micael Côrtes. A experiência, no entanto, passou a tensionar-se diante de visões distintas acerca do papel da arte e da organização coletiva. Em dezembro de 2021, após sua saída do Candeeiro, Nolram criou a “Gaiata Companhia” como um novo gesto performático e comunitário. Com o tempo, tornou-se evidente que a essência do grupo ultrapassava os limites da produção teatral convencional.
A grande transformação institucional surgiu a partir de uma reflexão mais profunda sobre o propósito comunitário das ações desenvolvidas. Inspirados pela potência do encontro humano e profundamente impactados pela partida do mestre encenador José Celso Martinez Corrêa em 2023, uma das grandes inspirações artísticas e existenciais de Nolram Rocha, o grupo decidiu abandonar o sentido utilitário e mercadológico associado à palavra “companhia”. Em seu lugar, passou a afirmar o termo Ajuntamento como expressão de uma identidade baseada na convivência, na presença física, na alegria coletiva, no afeto e na defesa do direito ao ócio criativo, ao brincar e à ludicidade.
Esse longo amadurecimento de bases sociais, afetivas e territoriais pavimentou o caminho para a formalização oficial da organização como Organização da Sociedade Civil (OSC), no ano de 2024. A partir dessa institucionalização, o Instituto Gaiato passou a atuar como núcleo articulador da Rede Ludoafetiva de Cultura Viva, construindo pontes entre os territórios amazônicos do Acre e de Rondônia e as dinâmicas urbanas das periferias de São Paulo.
Hoje, certificado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, o Instituto Gaiato ultrapassa os limites de uma organização formal. Constitui-se como uma comunidade em movimento, sustentada por vínculos afetivos, práticas culturais e experiências coletivas de convivência. Com uma liderança formada integralmente por pessoas LGBTQIAP+ e majoritariamente composta por corpos pretos, pardos e pessoas com deficiência, o Instituto afirma diariamente que a arte, as festas populares e a cultura lúdica são tecnologias sociais potentes de inclusão, fortalecimento comunitário e transformação da vida coletiva.
Pra quê serve esse Instituto Gaiato?
A arquitetura do convívio: cultura lúdica como resposta à epidemia da solidão
Talvez uma das maiores dificuldades de explicar o Instituto Gaiato seja justamente que muita gente já chega procurando entender “o que a gente produz”, quando, na verdade, uma parte importante do nosso trabalho é produzir condições para que as pessoas consigam voltar a conviver.
E isso pode parecer abstrato à primeira vista.
Porque fomos nos acostumando a imaginar que tudo precisa virar produto, resultado imediato, evento, espetáculo, rendimento ou desempenho. Quando alguém entra em um grupo, coletivo ou associação, quase sempre aparece a pergunta: “mas afinal, o que sai disso?”. Como se um encontro humano só pudesse ser validado quando se transforma rapidamente em mercadoria, currículo ou retorno financeiro.
Só que existe uma coisa acontecendo no mundo inteiro que talvez ainda não esteja sendo suficientemente percebida no Brasil: as pessoas estão adoecendo de solidão.
Não é força de expressão.
Diversos países já tratam o isolamento social como problema de saúde pública. Crescem os estudos sobre ansiedade social, depressão, sofrimento psíquico, hiperindividualização e enfraquecimento comunitário. Há pesquisas relacionando solidão prolongada com impactos profundos na saúde mental, no sistema imunológico, na sensação de pertencimento e até na expectativa de vida.
Mesmo assim, boa parte das respostas institucionais ainda acontece apenas dentro da lógica clínica e individual. Consulta, diagnóstico, medicação, atendimento técnico. Tudo isso é importante e necessário, mas existe uma dimensão da vida humana que não se resolve apenas individualmente.
Porque uma pessoa também adoece quando deixa de ter roda.
Quando deixa de ter convivência, de pertencer. Quando perde experiências de presença coletiva. E talvez seja exatamente aí que o Instituto Gaiato atua.
Nosso trabalho não nasce da ideia de entretenimento vazio e também não nasce da lógica empresarial tradicional. O que nos move é a tentativa de reconstruir experiências humanas de convivência em um tempo profundamente acelerado, fragmentado e solitário.
Chamamos isso de cultura lúdica ativa.
Não se trata apenas de brincar por brincar e também não se trata de “animar eventos”. A cultura lúdica ativa entende o encontro como uma necessidade humana fundamental. Significa criar situações onde as pessoas possam existir juntas sem que tudo precise virar produtividade o tempo inteiro.
Às vezes isso acontece numa roda de conversa, cozinhando juntos, fazendo artesanato e manualidades, jogando, brincando com crianças, dançando quadrilha, num ensaio de teatro, cantando, práticas de terreiro, viajando em grupo, acampando. Às vezes apenas sentando sem pressa para conversar.
Pode parecer pequeno para quem olha de fora. Mas quem participa entende rapidamente que algo importante acontece nesses espaços.
As pessoas começam a criar intimidade, construir confiança, perder o medo umas das outras, se sentir pertencentes. Começam a perceber que não precisam existir apenas como indivíduos isolados tentando sobreviver sozinhos o tempo inteiro.
E isso possui um valor imenso.
Hoje existe uma geração inteira que cresceu com poucas experiências de convivência comunitária contínua. Muitos já não têm quintal coletivo, brincadeira de rua, vizinhança viva, mutirão, roda comunitária ou convivência intergeracional cotidiana. Grande parte da vida foi substituída por deslocamento, pressa, tela, algoritmo e desempenho.
O Instituto Gaiato tenta reconstruir parte dessas experiências, mas não porque é nostálgico e sim porque é uma necessidade contemporânea.
Por isso, nosso trabalho dialoga diretamente com áreas como assistência social, saúde psicossocial, psicologia comunitária, fortalecimento de vínculos, educação popular e cultura viva.
Quando uma criança encontra um espaço seguro para brincar coletivamente, algo importante está acontecendo.
Quando um jovem encontra um grupo onde pode existir sem pressão constante de performance, algo importante está acontecendo.
Quando um idoso volta a frequentar rodas e festas comunitárias, algo importante está acontecendo.
Quando mães atípicas encontram convivência e apoio mútuo, algo importante está acontecendo.
Quando pessoas neurodivergentes conseguem participar de espaços mais humanos e menos violentos sensorialmente, algo importante está acontecendo.
Quando artistas deixam de viver apenas relações produtivistas e voltam a construir comunidade, algo importante está acontecendo.
Talvez muita gente ainda não perceba isso como trabalho porque fomos ensinados a valorizar apenas aquilo que gera lucro imediato ou produto visível.
Mas sustentar vínculos humanos, criar espaços de convivência, manter pessoas juntas ao longo do tempo também é trabalho. Aliás, talvez uma das tarefas mais difíceis do presente seja justamente essa.
O Instituto Gaiato não entende cultura apenas como espetáculo ou apresentação. Cultura também está nos modos de viver juntos. Está nas festas populares, nos jogos, nos quintais, nos terreiros, nas rodas, nas brincadeiras, nos acampamentos, nas viagens coletivas, nas conversas demoradas e nos pequenos rituais cotidianos que fazem as pessoas sentirem que pertencem a algum lugar.
Talvez seja isso que fazemos no fundo: criamos condições para que as pessoas não atravessem a vida completamente sozinhas.
Quem somos: a força da nossa rede ludoafetiva
Nossa base de associados não é homogênea, e é exatamente nisso que reside a nossa potência. O Gaiato é formado majoritariamente por jovens, com forte presença de pessoas negras, LGBTQIAPN+ e neurodivergentes, reunidas em torno de experiências coletivas de criação, cuidado e transformação social.
A juventude ocupa um lugar central em nossa rede. Grande parte dos associados tem entre 15 e 29 anos, o que faz do Instituto um espaço de invenção, circulação de novas linguagens e mobilização cultural contemporânea. Ao mesmo tempo, valorizamos profundamente os encontros intergeracionais, aproximando diferentes memórias, trajetórias e modos de viver o território.
A presença negra constitui um eixo fundamental da nossa identidade coletiva. A maioria dos integrantes do Instituto se autodeclara preta ou parda, refletindo as realidades sociais e culturais dos territórios periféricos, amazônicos e fronteiriços onde atuamos.
Também somos um espaço historicamente acolhedor para a comunidade LGBTQIAPN+. Nossa rede é atravessada por múltiplas experiências de gênero e sexualidade, reunindo pessoas com diferentes orientações afetivas, identidades de gênero e formas de existência. Entre os jovens associados, essa presença é ainda mais expressiva, fortalecendo um ambiente de convivência baseado no respeito, na liberdade e na criação coletiva.
A neurodiversidade também faz parte da vida cotidiana do Instituto. Pessoas autistas e outras pessoas neurodivergentes participam ativamente das nossas ações, contribuindo para a construção de espaços ludoafetivos mais acessíveis, sensíveis e atentos às diferentes formas de perceber o mundo.
Mesmo atuando em territórios periféricos e historicamente atravessados por desigualdades, o Instituto reúne uma base com elevado nível de escolarização. Muitos associados cursam ou concluíram o ensino superior e a pós-graduação, o que fortalece nossa capacidade de formular projetos, participar da construção de políticas públicas, atuar em conselhos, redes e fóruns culturais, além de defender os direitos das comunidades com as quais trabalhamos.
O Instituto Gaiato Ajuntamento é, portanto, um espaço de encontro entre saberes populares, formação crítica, cultura comunitária e imaginação coletiva. Nossa atuação é conduzida pela crença de que o brincar, a arte, o convívio e os vínculos podem produzir transformações reais nos territórios.
Mais do que uma organização cultural, somos um ajuntamento de pessoas que escolheu construir presença, comunidade e vida coletiva em um mundo marcado pelo isolamento.
Junte-se à nossa roda.
Por que Gaiato?
“Gaiato” é uma expressão popular muito utilizada, sobretudo entre os fundadores nortistas e nordestinos do instituto, e que dialoga com o tom bem humorado dos integrantes do nosso ajuntamento.
No substantivo Gaiato é brincalhão; quem gosta de fazer brincadeiras, é muito alegre e divertido;
No adjetivo é divertido; capaz de divertir, de entreter; repleto de comicidade.
Logo adotado na criação da Companhia em 2021
Por que um dinossauro?
O logo do Gaiato Ajuntamento surgiu a partir de um desenho infantil de dinossauro resgatado no caderno de memórias da mãe de Nolram. Um animal extinto há tantos anos e que ainda figura forte no nosso imaginário.
“Existe dinossauro no Acre?”, é a pergunta gaiata muito ouvida por causa da distância geográfica e a falta de busca por informações a respeito do estado, mas afinal, longe de onde? Do ponto de vista de quem? Estamos na Amazônia e somos extremamente privilegiados por isso. Então, ao invés de levar a provocação a sério, vimos a oportunidade de rir junto, rir de quem ri, e encarar com leveza e como signo de infância, ludicidade, humor, ancestralidade e, afinal, responder: “Quem me dera ter um dinossauro para ser meu conterrâneo”.
Desenho infantil que originou o logo do Instituto
"Podemos dizer que o nosso primeiro Gaiato nasceu quando um então menino e futuro diretor desenhou um dinossauro para chamar de seu, e que hoje para a companhia, é um dinossauro para chamar de nosso, que a partir do olhar de cada um, ganha forma e vida diferente. Vejo este dinossauro não como um grande bicho, mas sim, pequeno, do qual cuidamos todos juntos, como memória dessa criança gaiata interior que nunca morre dentro de nós, e que a partir dela seguimos construindo isso que é o nosso bem maior, a nossa arte, o nosso teatro, mesmo apesar das dificuldades. Seguimos abraçando esse dinossauro, como seguimos abraçando aquilo que acreditamos, aquilo que sabemos fazer, e que nos lembremos que quando parecer que não é possível, que basta apenas desenhar um dinossauro para chamar de nosso"
— Bruno Cordeiro, artista visual autor do logo de 2022/2023
Por que Ajuntamento?
"Acontece que essa Gaiata companhia teatral não quis ser somente “teatral”,
se quis algo maior que isso e simplificou seu nome: virou apenas uma “Gaiata Companhia” atuando e experienciando encontros na gigantesca São Paulo.
Ano passado o Zé Celso foi para a eternidade
e hoje essa “companhia” abandona seu duplo sentido capitalista,
se re-existe e se reafirma no sentido físico e corporal:
em ajuntamento,
ajuntamento de gente,
ajuntamento de gente que goza da alegria do ardor irresistível!.
Então, um Gaiato Ajuntamento".
Nolram Rocha
"A dor é doce, o fardo é leve cantando
Evoé, Baco! Evoé!"
— As bacantes, montagem do Zé Celso